Seria este o futuro? O crédito acabou?

 

 

Tanto a crise de 2008 quanto na atual crise do COVID-19, achamos o crédito privado entre os mais atingidos.

A falta de previsibilidade para tomada de decisão impede qualquer cálculo sobre a possibilidade de retorno ou mesmo se teremos recursos necessários para honrar nossas obrigações.

O rápido e acentuado desequilíbrio entre necessidades e disponibilidade desarruma os preços relativos e, associado à maior percepção de risco, interrompe o curso do processo decisório.

Nesse contexto, cria-se o chamado empoçamento de liquidez, situação em que é preferível reter o dinheiro consigo a arriscar emprestá-lo, mesmo diante de taxas de juros muito atrativas.

epicentro da crise de 2008 foi o mercado americano com sérias repercussões no mercado europeu, o que fez com que seus respectivos Bancos Centrais empreendessem ações contundentes desde a redução das taxas de juros até programas agressivos de compra de títulos públicos e privados.

O Brasil, contudo, foi beneficiado por sua menor integração com o mercado mundial, e conseguiu minimizar os impactos negativos sem a necessidade implantar um programa de estímulo monetário tão arrojado.

Do lado fiscal, Executivo e Legislativo tem discutido e aprovado um conjunto de medidas fiscais, empacotadas no chamado orçamento de guerra, que criam despesas para o Tesouro Nacional, com reflexos no déficit público, para proteger os mais vulneráveis e minimizar os impactos sobre a economia.

Já que são imperiosas, a preocupação que resta é sobre o caráter transitório de tais medidas, que se encerrem junto com a crise ao invés eternizarem a desordem do orçamento público.

Do lado monetário, digamos assim, o Banco Central vem anunciando uma série de medidas para conter os efeitos da crise no front do crédito.

Passados mais de 15 dias do anúncio das primeiras medidas, contudo, o crédito continua travado e empresas reportam problemas sérios de liquidez.

Comércio e indústria acusam bancos de não emprestar e autoridades do governo reclamam que já tomaram as medidas necessárias, mas o empoçamento persiste.

Outra crítica recorrente, é que os fundos de investimento alocaram parte substancial de seus ativos em títulos de crédito privado de baixa liquidez em fundos com regate diário.

Olhando para o cenário atual com uma lente mais racional, é possível enxergar que o tamanho desta crise é suficiente para desarranjar modelos matemáticos e turvar a visão de quem precisa tomar uma decisão sobre o que fazer com o dinheiro em caixa.

Nesse contexto de altíssima aversão à perda, poucos estão dispostos a emprestar seus recursos o que leva a taxa de juros a subir.

Deve prover, recursos, garantias, legislação tempestiva e eficiente e, também, fiscalizar o cumprimento de acordos e coibir as manipulações que vierem a ocorrer.

Muito em decorrência da redução da taxa SELIC, nos últimos meses gestores vinham aumentando a parcela dos recursos em nesta classe de ativos, uma forma de melhorar a rentabilidade dos fundos.

Para as empresas uma fonte inestimável de recurso, já para os investidores a possibilidade de adquirir títulos privados de forma diversificada, evitando o risco de concentração de capital.

Em meio a esta tormenta, em um mercado tão pequeno quanto o de crédito privado, notícias sobre possível inadimplência de empresas e volatilidade causam saques, as cotas perdem valor e cria-se um círculo vicioso.